Brasil está decolando, mas falta dinheiro: os obstáculos que ainda impedem o país de criar gigantes da tecnologia

Brasil está decolando, mas falta dinheiro: os obstáculos que ainda impedem o país de criar gigantes da tecnologia

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Em painel no Web Summit Rio 2026, Monashees e Google disseram que o país está mais preparado do que nunca para criar empresas globais, mas ainda precisa atrair mais investimentos para sustentar essa expansão

Bia Azevedo
Bia Azevedo
11 de junho de 2026

Painel no palco principal do Web Summit Rio 2026, no Riocentro, no Rio de Janeiro.
Gustavo Brigatto, fundador da Startups, Eric Acher, cofundador e sócio-diretor da Monashees, e Fábio Coelho, presidente do Google Brasil e vice-presidente do Google – Imagem: Paul Devlin/Web Summit via SportsfileNo Web Summit Rio 2026, o maior evento de tecnologia da América Latina, uma mensagem tem sido reforçada entre diversos empresários e investidores: o ecossistema de startups e empresas brasileiras já está pronto para decolar globalmente.

Na visão de Eric Asher, cofundador da Monashees, uma das principais gestoras de venture capital da América Latina, o país vive a terceira grande fase de sua indústria de tecnologia e inovação.

“Acreditamos que estamos nessa terceira onda de transformação e evolução da indústria de tech e venture capital no Brasil. A primeira foi colocar o país no mapa. A segunda foi parar de copiar a tecnologia de fora e fazer empresas de classe mundial locais. Esta terceira é global”, disse Asher durante painel no Web Summit Rio 2026, que o Seu Dinheiro acompanha de perto.

O painel também contou com a presença de Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil.

Para o executivo da Monashees, esse setor brasileiro já está deslanchando. “Mas não faz sentido comparar o Brasil atual com o Silicon Valley de hoje, mas sim com os Estados Unidos da década de 1980, cerca de 15 anos após o início desse mercado lá”, disse.

A visão de Coelho é parecida. O executivo acredita que as startups brasileiras estão mais resilientes hoje, explorando oportunidades locais importantes.

 

“O Brasil tem uma posição única para que esses desenvolvimentos não apenas fiquem aqui, mas saiam globalmente”, afirmo durante o evento que deve movimentar mais de 40 mil pessoas no Rio de Janeiro.

Mas ainda falta dinheiro para setor de tecnologia decolar

Mesmo com o desenvolvimento desse mercado, a dupla de painelistas acredita que ainda faltam alguns elementos para o país se tornar de vez um destaque global no segmento. Um dos principais é o dinheiro.

“O que talvez falte é capital disponível para as empresas, o que é cíclico. Eu acho até desproporcional o volume de dinheiro disponível em relação ao potencial das empresas”, disse Asher.

Além disso, o investidor defendeu que o papel do poder público deve ser o de remover barreiras para que empreendedores consigam executar seus projetos com mais facilidade.

Na visão dele, o Brasil avançou nos últimos anos ao criar um ambiente mais favorável ao surgimento e à concorrência de startups, mas ainda há espaço para reduzir a burocracia e tornar o ambiente de negócios mais previsível.

“Os reguladores no Brasil, nos últimos 10 ou 15 anos, regularam a favor da competição e das startups. O papel do governo deve ser incentivar o empreendedorismo removendo obstáculos e desburocratizando a execução, transformando o risco de execução em risco de inovação e competição”, afirmou.

Coelho concorda que o ambiente institucional é um fator decisivo para que o país atraia mais investimentos. Segundo ele, o Brasil já construiu bases importantes, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), mas ainda precisa avançar em infraestrutura, conectividade e segurança jurídica.

“Precisamos de infraestrutura, conectividade e segurança jurídica e regulatória. O capital estrangeiro vem quando encontra segurança institucional que garanta o retorno do investimento”, disse o presidente do Google Brasil.

Veja mais destaques da cobertura do Web Summit Rio 2026:

Bia Azevedo 

beatriz.azevedo@seudinheiro.comJornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

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