Embora assuma que o BC não tem por hábito lidar com esse tipo de clima, ele ressalta que a autarquia não perderá de vista o objetivo principal: controlar a inflação

Dani Alvarenga
13 de maio de 2026

Presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo – Imagem: Flickr Banco Central
O mercado global vem exigindo que o investidor tenha estômago de marinheiro experiente para conseguir navegar suas águas turbulentas. Mas, nesta
Durante a Conferência Anual do Banco Central do Brasil, Galípolo tocou na ferida que analistas e economistas estão tentando evitar: o fenômeno que estamos vivendo não é uma inflação tradicional, e o “barco” da autarquia não foi desenhado para enfrentar a tempestade que cai sobre o país.
“A gente vê uma rejeição ao uso do termo ‘estagflação’, justamente por sinalizar que o evento atual se trata menos de uma inflação tradicional, que é a pressão dos preços em função de uma elevação na demanda, mas, sim, de algo que advém de outra natureza”, disse ele durante a palestra.
Na visão de Galípolo, o mercado hoje possui uma dinâmica mais complexa, marcada por conflito
Vale lembrar que a fala do presidente do BC ocorre em meio a um cenário de aumento da pressão inflacionária sobre as principais economias do mundo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, que vem levando a alta dos preços do petróleo.
Contra um furacão que vem de fora, a bússola tradicional da política monetária parece ter mais dificuldade em encontrar o norte. “Nosso barco foi desenhado para enfrentar outro tipo de tempestade”, afirmou.
COMBUSTÍVEIS
Gasolina mais barata ‘à força’: governo anuncia subsídio de até R$ 0,89 por litro em meio à disparada do petróleo
33% MAIOR
Caixa aumenta prêmio da Mega-Sena 30 Anos para R$ 200 milhões — e valor pode crescer ainda mais
Terra à vista? O direcionamento do Banco Central sob o leme de Galípolo
Embora assuma que o BC não costuma lidar com esse tipo de tempestade, Galípolo ressaltou que a autarquia seguirá vigilante aos “efeitos de segunda ordem” e não perderá de vista o objetivo principal de controlar a inflação.
Até porque, na visão do presidente do BC, essa distinção é importante para os modelos, mas admite que a terminologia não resolve a dissonância entre os números oficiais e o sentimento das pessoas.
Galípolo ainda destacou que esse é o quarto choque de oferta em menos de seis anos, afetando diretamente a percepção da população sobre o custo de vida. Para ele, esse cenário cria um desafio adicional para a credibilidade das autoridades monetárias.
Com a tempestade engrossando, o presidente do BC avalia que o principal desafio neste momento é separar os efeitos temporários dos chamados efeitos de segunda ordem, que surgem quando a alta inicial de preços começa a contaminar expectativas, salários e outros setores da economia.
Ainda assim, Galípolo vê o BC como uma embarcação capaz de atravessar períodos de forte turbulência.
“O Banco Central, toda vez que for colocado em desafio, vai seguir dando essa resposta. Não vai se desviar daquilo que é o seu objetivo, que é o controle do processo inflacionário”, afirmou.
Dani Alvarenga
danielle.silva@seudinheiro.comRepórter do Seu Dinheiro, estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) com certificação em curso de Mercado Financeiro pela Ibmec. Possui experiência na cobertura de economia, política e internacional. Atualmente, cobre o mercado imobiliário e de FIIs.



