Etanol de milho acende alerta em ano já desafiador para usinas; há espaço para mais açúcar?

Etanol de milho acende alerta em ano já desafiador para usinas; há espaço para mais açúcar?

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Pasquale AugustoPor

Pasquale Augusto
11 jan
etanol de milho açúcar
(iStock.com/hh5800)Em um ano em que o etanol surge como possível fonte de fôlego para as usinas, diante de preços e margens comprimidas do açúcar, a rápida expansão do biocombustível de milho desponta como mais um fator de preocupação para o setor sucroenergético.

O avanço desse biocombustível intensifica a concorrência no mercado. Uma maior oferta de etanol — somada a uma produção elevada de etanol de cana-de-açúcar e à perspectiva de um mix mais alcooleiro na safra 2026/27 — tende a pressionar as cotações e reduzir margens, em um ambiente já bastante desafiador para as usinas.

Para o início da próxima safra, que começa em abril, a expectativa ainda é de preços mais firmes para o biocombustível, o que pode trazer algum alívio no curto prazo. No entanto, o cenário estrutural inspira cautela.

Na avaliação do professor do Insper, Marcos Jank, uma expansão excessiva do etanol de milho pode criar distorções no mercado, afetando diretamente a competitividade do etanol de cana e forçando o setor a direcionar mais cana para a produção de açúcar.

“A dúvida que fica é: há espaço para mais açúcar? O Brasil já responde por cerca de metade do mercado mundial, e o consumo interno não vai absorver volumes adicionais — o brasileiro já consome muito açúcar. Trata-se de um produto essencialmente voltado à exportação”, afirma Jank.

Segundo o professor, o aumento da produção de milho pode provocar um reordenamento relevante no setor de etanol e também na dinâmica das exportações brasileiras de açúcar.

Jank também chama atenção para a sustentabilidade da rentabilidade das plantas de etanol de milho no médio e longo prazo, à medida que novas unidades entram em operação.

Fávaro cita ‘copo meio cheio’ e vê agronegócio brasileiro como um dos grandes beneficiados com acordo Mercosul-União Europeia“Há dúvidas sobre a continuidade dessa rentabilidade. Uma eventual queda no preço da gasolina pode ‘destruir’ a comercialização do etanol. São muitas variáveis interligadas, e tudo isso passa, cada vez mais, por gestão de risco e governança das empresas”, pondera.

Para a StoneX, a produção de etanol de milho deve fechar perto de 9,6 milhões de m³. Em 2026, a expectiva é para um volume em torno de 11,5-12 milhões de m³, aumento de 20% a 25%. Atualmente, o mercado crescente do etanol de milho representa 25% da produção anual do biocombustível brasileiro.

Nos próximos 10 anos, algumas estimativas mais otimistas apontam que esse número pode ser de 50%. Segundo a StoneX, esse número deve ser de 40% em 2035.

 

 

Pasquale Augusto
Por Pasquale Augusto
Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.

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