A tríade que deve pressionar o IPCA e fazer a inflação acelerar em abril

A tríade que deve pressionar o IPCA e fazer a inflação acelerar em abril

- in Notícias
0
Comentários desativados em A tríade que deve pressionar o IPCA e fazer a inflação acelerar em abril

Juliana CaveiroPor

Juliana Caveiro
11 maio 2026
inflação ipca brasil morning agenda wall street ibovespa
(Imagem: inkdrop)O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, que será divulgado nesta terça-feira (12), deve mostrar uma inflação ainda pressionada, com alimentos, combustíveis e medicamentos formando uma espécie de “tríade inflacionária” no mês.

As projeções de mercado apontam para uma alta entre 0,67% e 0,71%, um pouco abaixo do resultado de março, que trouxe alta de 0,88%. O movimento reforça a percepção de que, apesar de alguns alívios pontuais em serviços, a inflação segue espalhada e desconfortável para o Banco Central.

Banco Daycoval estima avanço de 0,71% no IPCA de abril, enquanto a XP projeta alta de 0,67%, em linha com o consenso do mercado e mediana das projeções do Broadcast.

O que esperar do IPCA de abril?

Na avaliação do Daycoval, os principais vetores de pressão devem ser os preços da gasolinamedicamentos alimentos, especialmente itens in natura, leite, ovos, feijão e carne bovina. O banco também chama atenção para os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os combustíveis.

Já a XP destaca que os combustíveis ainda devem exercer forte contribuição sobre o índice, embora em intensidade menor do que a observada no IPCA-15. A gasolina deve subir 2,35% no mês, segundo a casa.

Nos alimentos, o cenário segue indigesto para o consumidor. A XP projeta alta de 1,35% para alimentação no domicílio, enquanto o Daycoval estima avanço ainda maior, de 1,49%.

Outro ponto de atenção será o reajuste sazonal dos medicamentos. O Daycoval calcula alta de 1,28% no grupo saúde e cuidados pessoais, enquanto a XP projeta avanço de 1,35%, refletindo o reajuste autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Alívio em serviços?

Apesar da pressão disseminada, os serviços devem trazer algum alívio na leitura cheia do índice. O Daycoval projeta variação quase nula do grupo, de 0,06%, influenciada principalmente pela forte queda das passagens aéreas, estimada em 14,32%.

A XP também vê desaceleração dos serviços, com alta de apenas 0,04% no mês.

Ainda assim, o núcleo de serviços continua incomodando. Segundo a XP, os serviços subjacentes devem avançar 0,44%, levando a média anualizada de três meses dessazonalizada para 5,7%, acima do patamar compatível com a meta de inflação.

O Daycoval observa que os itens mais sensíveis à atividade econômica e ao mercado de trabalho seguem pressionados, especialmente os chamados serviços intensivos em trabalho, que devem subir 0,64% no mês.

Além disso, os núcleos de inflação continuam mostrando resistência. A XP projeta média dos núcleos em 0,49% em abril, acima da mediana de mercado de 0,43%.

O cenário reforça a cautela do Banco Central em relação ao processo de desinflação. Para o Daycoval, embora os serviços tenham desacelerado na margem, os núcleos permanecem elevados e seguem como um desafio para a autoridade monetária. O banco ainda projeta IPCA de 4,7% ao fim de 2026, com viés de alta diante das tensões geopolíticas e dos riscos climáticos associados a um possível El Niño mais intenso no segundo semestre.

A XP, por sua vez, revisou recentemente para cima sua projeção para o IPCA de 2026, de 5,1% para 5,3%. Para 2027, a estimativa foi mantida em 4%, sustentada por um câmbio mais apreciado e pela expectativa de uma política monetária mais restritiva.

 

 

Juliana Caveiro
Por Juliana Caveiro
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

About the author

You may also like

CAFÉ DA MANHÃ COM ECONOMISTAS NO BEST PREMIER