Onde os milionários se escondem: os ‘bunkers’ do turismo de luxo, acessíveis apenas por jatinho, iate ou contatos certos

Onde os milionários se escondem: os ‘bunkers’ do turismo de luxo, acessíveis apenas por jatinho, iate ou contatos certos

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Mariana PavãoPor

Mariana Pavão
30 set 2026

Ilha de Cavallo – Imagem: Reprodução/Hôtel des Pêcheurs
YoutubePara os ultra-ricos, a definição de status passou por uma transformação profunda. A ostentação deu lugar ao chamado quiet luxury, com menos exposição, mais privacidade — e exclusividade.

Em uma era de redes sociais hiperexpostas, o privilégio máximo está no poder de permanecer completamente fora do radar. O mesmo também vale para o turismo, que atrai a elite global para refúgios isolados, acessíveis apenas por jatinho, helicóptero, iate ou por meio de uma restritíssima rede de contatos.

A seguir, confira alguns destinos luxuosos que, embora famosos pelo prestígio, estão longe de serem populares.

Cavallo (Mar Mediterrâneo, França)

Ilha de Cavallo – Imagem: Reprodução/Hôtel des Pêcheurs

Entre a Córsega e a Sardenha, a ilha de acesso restrito de Cavallo é famosa por suas águas translúcidas e natureza preservada. O acesso é restrito para iates privados de proprietários e hóspedes do exclusivíssimo Hôtel des Pêcheurs, com diárias que superam os € 3,2 mil.

Descrita pelos poucos que a frequentam como um mundo à parte, Cavallo é protegida e cobiçada pela elite global, limitando o acesso para que continue sendo um segredo guardado.

Para quem busca permanência, as raras vilas privadas de pedra encravadas nas rochas, com praias privativas, helipontos e projetos assinados por arquitetos renomados, chegam a custar € 18 milhões.

Skorpios (Mar Jônico, Grécia)

Antiga ilha privada de Aristóteles Onassis, a ilha Skorpios foi palco de seu casamento com Jacqueline Kennedy e, posteriormente, convertida em um resort de ultra-luxo hiper-restrito.

aques da Bolsa
Tenda (TEND3) aprofunda queda na bolsa com alerta sobre Caixa e Pode Entrar; o que dizem os analistas?O complexo funciona como um “resort de propriedade única”; não é possível reservar apenas um quarto individual. O cliente precisa fechar o complexo inteiro, que acomoda até 50 pessoas e conta com heliponto, marina para superiates e segurança de nível militar para garantir privacidade para hóspedes de altíssimo patrimônio.

Esqueça os sites de turismo: o acesso é feito apenas sob consulta de antecedentes e convites diretos. Estimativas divulgadas por veículos internacionais apontam custo na casa de € 1 milhão por semana para estadias exclusivas na ilha.

Il San Pietro di Positano (Positano, Itália)

Hotel Il San Pietro di Positano – Imagem: Reprodução/Positano

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Embora localizado na badalada Costa Amalfitana, este hotel funciona como uma fortaleza. Encravado em um penhasco, oferece acesso à sua praia privada por meio de um elevador esculpido por dentro da rocha.

As diárias chegam a custar mais de € 5 mil na alta temporada, mas o preço é apenas parte do filtro. Clientes fiéis que frequentam o hotel há décadas têm prioridade vitalícia na reserva das mesmas suítes todos os anos.

Para um milionário “novo” ser incluído nas reservas, é preciso entrar em uma fila de espera ou usar contatos muito influentes para conseguir um quarto.

Amangiri (Utah, EUA)

Hotel Amangiri – Imagem: Reprodução/Aman Resorts

O isolamento de alto luxo não se restringe às ilhas. Escondida em um cânion no coração do deserto, a arquitetura de concreto cru do Amangiri foi projetada para mimetizar as formações rochosas ao redor.

O local tornou-se o “bunker” favorito de bilionários do Vale do Silício e de estrelas de Hollywood devido ao seu rígido esquema de segurança, que impede a aproximação de qualquer pessoa que não seja hóspede.

Para chegar até o hotel, é preciso voar de helicóptero ou jatinho privado até o aeródromo de Page, no Arizona, seguido por um traslado privativo pelo deserto.

As diárias escalam para além de US$ 9,4 mil nas suítes principais. Se o objetivo for a privacidade absoluta, o resort possui uma vila privada de seis quartos em meio ao deserto selvagem, disponível pela bagatela de aproximadamente US$ 45 mil por noite.

Masa (Nova York, EUA)

Masa NYC – Imagem: Reprodução/Masa NYC

O Masa prova de que o isolamento de luxo também pode existir no centro de uma das cidades mais movimentadas do mundo. Idealizado pelo chef Masa Takayama, o restaurante japonês que já ostentou três estrelas Michelin (hoje, conta com “apenas” duas) fica a poucos passos do Central Park.

Milhares de pessoas passam por ele diariamente, mas cruzar aquela porta está longe de ser simples. Com apenas 32 lugares, sem janelas e fotografias proibidas, o Masa funciona como um clube privado informal para os grandes executivos de Wall Street.

O menu omakase parte de US$ 495 por pessoa e pode chegar a US$ 1.200 em experiências especiais, sem considerar bebidas, taxas e impostos. Para fazer uma reserva, é preciso disputar uma das vagas que abrem uma única vez por mês e pagar o valor total do menu antecipadamente.

Mas os ultra-ricos não precisam se preocupar em disputar reservas. Para membros de cartões de crédito ultra-exclusivos, como o American Express Centurion, ou de redes de concierge de elite, esses serviços possuem cotas de mesas para acomodar clientes VIP.

Nem sempre basta ter dinheiro para desfrutar o luxo

No topo mais restrito do turismo de luxo, o dinheiro abre portas, mas nem sempre todas. Para ter quem insira seu nome na “lista ultra-VIP”, a elite global recorre aos serviços de concierges especializados, como a britânica Quintessentially ou a francesa John Paul.

Seus agentes passam o ano em contato com hotéis, maîtres de restaurantes e capitães de iates pelo mundo para garantir o acesso a cotas que o público comum sequer sabe que existem.

Para usufruir da facilidade, os milionários não pagam apenas pelas viagens, mas também por assinaturas anuais que partem de alguns milhares de euros e podem ultrapassar os US$ 30.000 em níveis mais dedicados.

Em um mundo em que quase tudo pode ser exibido, o maior símbolo de status está naquilo que não precisa aparecer. Para os ultra-ricos, viajar deixou de ser apenas conhecer lugares e passou a ser a arte de chegar onde quase ninguém entra.

 

Mariana Pavão
Por Mariana Pavão
Redatora e designer, escreve sobre finanças, cultura e filosofia. Tem mais de 15 anos de experiência em comunicação, marketing e conteúdo para plataformas digitais. Desde 2023, é parceira de conteúdo da Empiricus, do Seu Dinheiro e do Money Times.

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