Governo corta projeção para o PIB de 2026 e vê juros pesando sobre economia

Governo corta projeção para o PIB de 2026 e vê juros pesando sobre economia

- in Notícias
0
Comentários desativados em Governo corta projeção para o PIB de 2026 e vê juros pesando sobre economia

Juliana CaveiroPor

Juliana Caveiro
22 set 2026
tarifas de Trump - Ministério da Fazenda
(Imagem: REUTERS/Adriano Machado)
YoutubeA Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2,0% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, segundo o Boletim MacroFiscal de setembro.

A revisão reflete principalmente uma expectativa mais fraca para serviços e indústria, em meio aos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito e a demanda doméstica.

Para o setor de serviços, a estimativa de crescimento caiu de 2,4% para 1,8%, enquanto a projeção para a indústria passou de 2,1% para 1,7%. Na direção contrária, a Fazenda elevou a previsão para a agropecuária de 1,8% para 2,8%.

Segundo a SPE, o primeiro semestre deixou um carregamento mais fraco para os serviços, enquanto os juros elevados começam a aparecer de maneira mais clara sobre a economia.

Um dos canais é o orçamento das famílias. Embora o endividamento permaneça relativamente estável em relação à renda, o comprometimento da renda familiar com o pagamento de dívidas atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre. Isso, segundo o relatório, limita a transformação dos ganhos de renda em consumo.

Na indústria, a principal pressão vem da transformação, afetada pelo crédito caro e pela demanda mais fraca por bens de consumo. A indústria extrativa, por outro lado, continua sustentando parte do desempenho do setor.

Economia deve perder mais fôlego no 3º trimestre

A Fazenda espera que a desaceleração fique mais evidente no terceiro trimestre. A projeção é de crescimento de apenas 0,2% na comparação com os três meses anteriores, após avanço de 0,4% no segundo trimestre móvel.

Na comparação anual, o PIB deve crescer 1,8% no terceiro trimestre, abaixo dos 2,0% registrados no trimestre anterior.

Boa parte dessa perda de força deve vir da agropecuária. Após crescer 6,8% na comparação anual no segundo trimestre, o setor deve desacelerar para 3,7% no terceiro. Na margem, a Fazenda espera queda de 0,7%.

A indústria deve crescer 1,3% ante o mesmo período de 2025, enquanto os serviços devem avançar 1,6%.

Apesar da desaceleração, o mercado de trabalho continua funcionando como um colchão para a atividade. A taxa de desemprego estava em 5,3% em julho, em patamar historicamente baixo, e a massa de rendimentos ainda ajuda a sustentar os segmentos mais ligados ao consumo.

Juros ainda fazem efeito

A própria Fazenda passou a trabalhar com uma trajetória de juros um pouco mais elevada. Entre as grades de julho e setembro, a estimativa para a Selic acumulada passou de 14,16% para 14,22% em 2026 e de 12,53% para 12,67% em 2027, incorporando uma flexibilização monetária mais gradual.

A SPE avalia que os juros permanecem em terreno restritivo e aparecem no custo do crédito para empresas e no comprometimento da renda das famílias, freando a atividade doméstica.

Ainda assim, a Fazenda espera alguma melhora no fim do ano. Para o quarto trimestre, projeta crescimento de 2,1% na comparação anual, à medida que os cortes da Selic iniciados em março começam a chegar à indústria de transformação, à construção e aos serviços mais sensíveis aos juros.

Fazenda também reduz projeção para 2027

A revisão não ficou restrita a este ano. A SPE reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2027 de 2,5% para 2,3%.

Para o próximo ano, porém, a dinâmica esperada é diferente. A Fazenda considera que a queda da Selic iniciada em 2026 deverá se transmitir gradualmente ao crédito e à demanda, beneficiando consumo, investimento, construção, indústria de transformação e serviços mais cíclicos.

Mesmo após os cortes, as projeções oficiais permanecem mais otimistas que as expectativas do mercado consideradas no relatório. Na data de corte utilizada pela SPE, a mediana do Focus apontava crescimento de 1,9% em 2026 e 1,5% em 2027, contra 2,0% e 2,3%, respectivamente, projetados pela Fazenda.

 

Juliana Caveiro
Por Juliana Caveiro
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

You may also like

Multiplicação de até 42 vezes? Os quatro ativos que podem se beneficiar do próximo boom da inteligência artificial

Por Maria Luiza Araujo 04 nov 2026 Em