O ‘RG’ da pessoa jurídica passa a ter números e letras; a alteração deve ficar no radar de todas as companhias por conta da adaptação de sistemas

Giovanna Figueredo
01 de julho de 2026

Novo formato do CNPJ entra em vigor neste mês Imagem: Nanci Santos/iStockEntrou em vigor o novo formato do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). A partir de julho de 2026, os novos CNPJs têm um modelo alfanumérico, que mantém o total de 14 caracteres, mas passa a permitir letras e números.
Anteriormente, o padrão era somente numérico.
Embora a alteração feita pela Receita Federal só comece a valer agora, ela não é recente. O novo padrão foi definido em 2024, por meio da Instrução Normativa RFB nº 2.229, e ainda gera dúvidas entre empresários e profissionais.
Os cadastros já existentes permanecem exatamente como estão. Ou seja, o modelo alfanumérico será usado apenas pelas empresas, filiais, condomínios e MEIs abertos a partir do dia 1º de julho, de forma gradual.
Ainda assim a alteração deve ficar no radar de todas as companhias por conta da adaptação de sistemas. (entenda a seguir).
Outros questionamentos também têm circulado, como a possibilidade de empresas serem obrigadas a migrar para o novo formato, a existência de cobranças para aderir ou até o risco de as companhias que não seguirem o modelo serem fechadas.
Em relação a essas hipóteses, nenhuma delas é uma preocupação verdadeira. Portanto, o Seu Dinheiro reuniu, a seguir, o que muda na prática com o novo modelo.
Por que o CNPJ mudou?
A explicação para o CNPJ alfanumérico é bem simples: a quantidade de combinações possíveis com os 14 números do documento está acabando. O Brasil já ultrapassa a marca de 64 milhões de CNPJs registrados.
Com o ritmo constante de abertura de novos negócios, o modelo atual passa a ter um limite.
Estudos realizados pela própria Receita Federal mostram que, com a constância de crescimento, a numeração disponível pode se esgotar em até seis anos.
Ao inserir letras, o número de possibilidades aumenta e garante a continuidade do sistema de criação do CNPJ sem mudanças mais drásticas no futuro.
Como será na prática
O novo CNPJ mantém a estrutura de 14 posições, mas passa a ter uma combinação entre números e letras.
Antes da mudança, um CNPJ seguia um padrão como “01.950.657/0001-82”. No novo formato, exemplos hipotéticos poderiam surgir como “UX.2Z8.BTU/0001-62”.
O processo de abertura de empresas permanece igual, sem alterações para quem deseja formalizar um negócio.
Quem precisa se adaptar
Embora os números já emitidos não sofram alteração, a mudança exige atenção de todas as empresas por outro motivo: a adaptação de sistemas.
Tanto plataformas públicas quanto privadas precisam estar preparadas para reconhecer e processar o novo padrão alfanumérico.
Isso inclui sistemas de emissão de notas fiscais, ERPs, cadastros internos, integrações com parceiros e diversas outras operações rotineiras.
De acordo com a Receita Federal, a falta de adequação pode gerar problemas como falhas na emissão de documentos fiscais, dificuldades de comunicação com fornecedores e clientes e atrasos em processos administrativos.
Ferramenta para testes
Para auxiliar na transição, a Receita Federal criou um recurso específico para testes. Trata-se do Simulador Nacional de CNPJ, disponível gratuitamente no site do órgão.
A ferramenta permite gerar combinações fictícias no novo formato, facilitando o trabalho de desenvolvedores e equipes de TI na adaptação de sistemas antes da entrada em vigor da mudança.
Giovanna Figueredo
giovanna.figueredo@



