Ganhador do Nobel de Economia vê no medo da IA uma ameaça potencialmente maior que a própria tecnologia

Ganhador do Nobel de Economia vê no medo da IA uma ameaça potencialmente maior que a própria tecnologia

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Em meio ao avanço de narrativas alarmistas sobre a inteligência artificial, economista afirma que o medo impulsiona transformações na economia e na sociedade

Isabella Gargano
Isabella Gargano
01 de julho de 2026


Imagem: UnsplashCom o crescimento desenfreado do uso da inteligência artificial no dia a dia das pessoas e a iminente ameaça da substituição da mão de obra humana pelas IAs. O economista vencedor do prêmio Nobel, Robert J. Shiller, acredita que o medo sentido das pessoas é o fato mais problemático de toda esta história.

Em recente artigo de opinião publicado no jornal The New York Times, Shiller explicou que, assim como muitos outros, ele reconhece que o desenvolvimento da IA pode impactar o mercado de trabalho.

No entanto, não acredita que a culpa dessa substituição seja totalmente da tecnologia, e sim do próprio pânico causado por essa possibilidade.

O medo da IA como ferramenta

Na visão de Shiller, as narrativas que circulam no imaginário da população têm poder de afetar a economia a partir de como elas influenciam escolhas relacionadas ao futuro.

“Quando milhões de pessoas tomam milhões de decisões baseadas em expectativas negativas, existe um risco que esse medo pode ajudar a torná-lo realidade”, diz Shiller.

O economista argumenta que, desde o tempo de Aristóteles, o ser humano manifesta o medo de ser substituído por alguma tecnologia mais eficiente.

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Na Grande Depressão de 1929, por exemplo, além de fatores como falta de regulações bancárias e políticas monetárias que levaram a falências bancárias generalizadas, um regime de tarifas punitivas que afetou o comércio global e entre outros, Shiller acredita que as narrativas negativas em relação a novas tecnologias impactaram o momento econômico.

Dado que na época, apenas 2% dos americanos detinham ações de empresas de capital aberto, a quebra da bolsa não foi a causa única da Grande Depressão, de acordo com estudos da economista Christina D.Romers.

Ela considera que o estopim da crise foi o colapso no consumo americano, que seguiu a quebra da bolsa, o qual Christina atribui à incerteza dos consumidores sobre o futuro de sua renda.

Com histórias que incentivavam a tecnofobia circulando nos meios de comunicação e na literatura da época, a Grande Depressão acabou em 1939, mas a ideia de desemprego por culpa do desenvolvimento tecnológico continuava na consciência coletiva dos americanos.

Cenário atual

Com o avanço da inteligência artificial cada vez mais inserida em diferentes áreas da sociedade, o medo da população em relação ao futuro também é crescente.

De acordo com uma pesquisa feita em março deste ano, da Universidade de Quinnipiac, nos Estados Unidos, 55% dos americanos acreditam que a IA vai trazer mais impactos negativos do que positivos no dia a dia.

A mudança de visão em relação a tecnologia é alarmante, quando comparada a abril de 2025, na ocasião 44% dos entrevistados pensavam que a IA poderia causar mais bem do que mal para sua vida.

Segundo dados dessa mesma pesquisa, 51% dos americanos acreditam que o ritmo de desenvolvimento da IA está mais acelerando que o esperado.

Recentemente a Anthropic, empresa de IA dona do Claude, fez um comunicado propondo uma pausa global no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.

A proposta é que as empresas trabalhem em conjunto, pois se apenas uma diminuir o seu ritmo ela vai ser ultrapassada pela concorrência e a pausa não será efetiva.

A empresa alega que a IA está próxima de um ponto de retroalimentação, no qual o próprio sistema se torna capaz de se tornar mais inteligente, e pode escapar o controle humano.

Para Shiller o máximo que a população pode fazer em meio a essa onda de medo sobre o avanço da tecnologia é “apelar diretamente para os líderes do Vale do Silício, que vêm promovendo essas narrativas negativas com tanto vigor”.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi

Isabella GarganoIsabella Gargano

Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Universidade Sapienza de Roma. É estagiária de redação na editoria de Trends do Money Times e Seu Dinheiro.

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