Companhia espera processar 23,7 milhões de toneladas de cana e aumentar o ATR em 10,7% na próxima temporada agrícola
CNN Brasil – Publicado: 26 Mai 2026 –
A São Martinho encerrou o quarto trimestre da safra 2025/26 com lucro líquido de R$ 172,85 milhões, resultado 64,6% superior ao registrado no mesmo período da safra anterior. A receita líquida da companhia somou R$ 2,24 bilhões no trimestre, alta de 29,1% na comparação anual.
Por sua vez, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 1,09 bilhão no trimestre, avanço de 41,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
No acumulado da safra 2025/26, a empresa registrou lucro líquido de 836,18 milhões, 50,2% a mais na comparação interanual. Já a receita líquida totalizou R$ 7,43 bilhões, 3,3% maior que um ano antes. E o Ebitda ajustado alcançou R$ 3,5 bilhões, crescimento de 1,7%.
A margem Ebitda ajustada fechou o período em 47,1%, recuo de 0,7 ponto percentual em relação à safra anterior.
Produção, processamento e vendas
Durante a safra, a São Martinho processou 21,91 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (+0,6%) e 521 mil toneladas de milho (+1,9%), totalizando 3,43 milhões de toneladas de açúcar total recuperável (ATR) equivalente (-1,4%).

Segundo a companhia, o período foi marcado por escassez de chuvas em uma fase considerada crítica para o desenvolvimento da lavoura, o que impactou a produtividade agrícola e o nível de ATR do canavial.
No período, a empresa fabricou aproximadamente 1,42 milhão de toneladas de açúcar (+7,1%), 1,14 bilhão de litros de etanol (-6,3%), 875,4 GWh de energia elétrica renovável (+11%) e 138,6 mil toneladas de DDGS, ou grãos secos de destilaria com solúveis (+0,9%).
Já o volume comercializado foi de, aproximadamente, 1,4 milhão de toneladas de açúcar (+6,1%), 1,16 bilhão de litros de etanol (+0,6%), 1,11 TWh de energia elétrica (+15,5%) e 137,3 mil toneladas de DDGS (+0,7%).
Em comunicado, a companhia afirmou que o cenário da safra foi marcado por volatilidade nos preços das commodities, desafios climáticos e incertezas macroeconômicas.
A empresa informou ainda que, diante da queda nos preços do açúcar e da volatilidade no mercado de etanol, alterou o mix de produção em setembro para ampliar a participação do biocombustível e concentrou 40% das vendas de etanol no quarto trimestre.
A decisão, segundo apuração da Globo Rural, permitiu à companhia aproveitar a alta dos preços vista na entressafra. De todo o volume de etanol produzido em 2025/26, 39,6% foi vendido no quarto trimestre e os preços foram 4% mais altos.
Com isso, a receita com as vendas de etanol no trimestre cresceram 43,1%, para R$ 1,44 bilhão. No mesmo período, o açúcar viu avanço de 16,7%, indo a R$ 706,26 milhões.

“Quando percebemos que o carregamento [para a entressafra] seria positivo, focamos tudo o que tínhamos de capacidade no último trimestre”, afirmou o CEO da São Martinho, Fábio Venturelli, para a Globo Rural.
Investimentos e endividamento
A São Martinho também destacou investimentos realizados ao longo de 2025, entre eles a aquisição de áreas de canavial da Santa Elisa.
No segmento de novos negócios, a empresa informou o início da operação de sua planta de biometano na unidade Santa Cruz e anunciou novos investimentos em etanol de milho, com aporte previsto em R$ 800 milhões para 2026/27.
Segundo a companhia, os resultados da primeira planta acoplada na unidade Boa Vista motivaram a aprovação da expansão da capacidade de produção.

Outro destaque, foi a nova caldeira da unidade de cogeração. Por conta disso, enquanto o volume de cana processado subiu 0,6%, a energia cogerada cresceu 11%.
No total, os investimentos feitos durante a safra 2025/26 somaram 2,81 bilhões, alta de 2,7% na comparação anual. Dentro desse montante, R$ 975,33 milhões foram aportados durante o quarto trimestre (-8,4%).

Por sua vez, a dívida líquida da companhia atingiu R$ 4,96 bilhões em 31 de março de 2026, aumento de 0,6% em relação à posição de um ano antes.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, encerrou o ciclo em 1,41 vez, queda de 1,1% na comparação anual.

Segundo a São Martinho, em relatório, o atual endividamento “reflete as novas captações, principalmente a emissão de debêntures e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs)”.
Projeção para 2026/27
Para a próxima safra, a empresa projeta crescimento de 10,7% no volume de ATR, totalizando 3,37 milhões de toneladas, e moagem recorde de cerca de 23,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
De acordo com a companhia, a expectativa está relacionada aos índices pluviométricos registrados no encerramento do ciclo, à expansão na área de colheita e à gestão da massa verde nos canaviais.
Para a safra 2026/27, a São Martinho estima que a planta de etanol de milho contribua com 364,3 mil toneladas de ATR equivalente, a partir do processamento de 495 mil toneladas de milho, volume 5% inferior ao registrado anteriormente.
A projeção considera produção de 208,99 milhões de litros de etanol a partir do grão, queda de 5,4%, além de 134 mil toneladas de DDG (-3,1%), e 8 mil toneladas de óleo de milho (-0,3%).

Segundo a companhia, a estimativa considera níveis de eficiência industrial alinhados aos da safra 2025/26 e um período maior de manutenção em razão do cronograma de implementação da segunda fase da planta da unidade Boa Vista.
Gabriella Weiss
Com informações adicionais NovaCana e Globo Rural; edição NovaCana





