Redução de 156 mil para 100 mil toneladas afeta cerca de 50 usinas do Norte e Nordeste; Alagoas, principal beneficiário da cota brasileira, pode perder mais de US$ 40 milhões

EDIVALDO JÚNIOR Editor do Gazeta Rural | 07/08/2026 .

A redução da Cota Americana compromete um dos mercados mais rentáveis para o açúcar nordestino e amplia as perdas para a cadeia sucroenergética da região | Foto: BCCOM
A decisão do governo dos Estados Unidos de reduzir em 35% a Cota Americana destinada ao açúcar brasileiro abriu uma nova frente de preocupação para o setor sucroenergético do Nordeste. No fim de julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) reduziu de 155.993 para 100 mil toneladas a participação do Brasil na cota tarifária para o ano fiscal de 2027, mantendo inalterado o volume global do programa.
A medida afeta diretamente cerca de 50 usinas das regiões Norte e Nordeste, responsáveis pelas exportações brasileiras dentro do regime preferencial. Em Alagoas, o impacto tende a ser ainda maior. Historicamente, o estado responde por aproximadamente metade da Cota Americana destinada ao Brasil, considerada um dos mercados mais rentáveis para o açúcar regional por oferecer preços superiores aos praticados no mercado internacional.
Segundo estimativas do setor, a redução da cota poderá provocar perdas próximas de US$ 93 milhões para os estados do Norte e Nordeste. Como Alagoas concentra cerca de metade desse volume, o prejuízo para o estado pode superar US$ 40 milhões. Além disso, permanece a tarifa adicional de 25% sobre as 100 mil toneladas que continuarão sendo exportadas aos Estados Unidos, reduzindo ainda mais a competitividade do açúcar brasileiro.
Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, o principal problema deixou de ser a sobretaxa anunciada anteriormente e passou a ser a redução do espaço destinado ao açúcar brasileiro.



