Juliana Caveiro
30 jun 2026

(Imagem: Reuters/Amanda Perobelli)
O Brasil abriu 72.960 vagas formais de trabalho em abril de 2026, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado de maio foi fruto de 2.207.303 admissões e 2.134.346 desligamentos.
A expectativa ficou abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que indicava criação líquida de 120 mil vagas no período.
Em maio de 2025, foram criados 153.108 postos de trabalho. No mesmo mês de 2020, houve fechamento de 398.230 vagas.
No acumulado do ano até maio, o saldo é positivo em 767.326 vagas, também o mais baixo desde 2020, ano em que se inicia a série histórica do Novo Caged, mês que registrou fechamento de 1.345.103 postos de trabalho. No mesmo período no ano passado, o saldo foi positivo em 1.067.108 postos.
Todos os cinco grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos de vagas no mês passado. O setor de serviços, como de costume, liderou a abertura, com 45.655 postos, seguido pelo setor de construção, com 12.096. Em último lugar, depois dos setores agropecuário (+10.205) e industrial (+4.974), respectivamente, ficou o setor de comércio com abertura de 40 vagas.
O que dizem os analistas?
Para os economistas, o Caged de maio reforça a percepção de que o mercado de trabalho brasileiro segue perdendo força, em linha com os sinais já apontados por outros indicadores recentes.
Andressã Durão, economista do ASA avalia que a criação de 72.960 vagas formais, novamente abaixo das expectativas, se soma à surpresa negativa de abril e aos dados mais fracos da PNAD Contínua, indicando uma deterioração gradual do mercado de trabalho ao longo de 2026. Na visão da casa, o processo ocorre de forma lenta e progressiva e está em linha com o cenário esperado para este ano.
Na mesma direção, o economista sênior do Inter, André Valério, afirma que o resultado foi o mais fraco do ano e reforça a perda de dinamismo do emprego formal. Embora todos os setores tenham registrado saldo positivo de vagas, houve desaceleração em segmentos importantes, como serviços, construção civil e indústria, enquanto o comércio segue acumulando fechamento de postos de trabalho no ano.
Para o Inter, a moderação do mercado de trabalho, combinada ao IPCA-15 de junho, fortalece o cenário para a continuidade dos cortes da Selic. O banco espera que o Copom volte a reduzir os juros a partir de agosto, encerrando 2026 com a taxa básica em 13,25%.

Por Juliana Caveiro
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.



