Fim da guerra: Veja o que prevê o acordo firmado entre EUA e Irã

Fim da guerra: Veja o que prevê o acordo firmado entre EUA e Irã

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Juliana AméricoPor

Juliana Américo
15 jun 2026
Irã EUA Trump morning agenda wall street ibovespa
Os Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo preliminar para encerrar a guerra que se prolongava por quase quatro meses e viabilizar a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

O entendimento foi divulgado inicialmente no domingo (14) pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador das negociações. O anúncio foi posteriormente confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por autoridades iranianas.

Segundo os governos envolvidos, as partes concordaram com o fim imediato e permanente das operações militares. Um memorando de entendimento formalizando o acordo deve ser assinado na Suíça na próxima sexta-feira (19), com posterior divulgação pública.

Implementação e próximos passos

O acordo prevê que o Estreito de Ormuz comece a ser reaberto após a assinatura do memorando, juntamente com a suspensão gradual do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos. Autoridades iranianas afirmaram que o tráfego será liberado a todos os navios comerciais, sob coordenação com Omã.

Além disso, as negociações sobre temas mais complexos — como o programa nuclear iraniano e o regime de sanções — deverão continuar nos próximos 60 dias.

Questão nuclear

Como parte do entendimento inicial, o Irã reiterou seu compromisso de não produzir nem adquirir armas nucleares. Enquanto as negociações de um acordo definitivo seguem em curso, Teerã concordou em congelar atividades sensíveis, incluindo o enriquecimento de urânio e a expansão de suas instalações nucleares.

Autoridades iranianas afirmaram que, em um eventual acordo abrangente, o país poderá diluir seu estoque de urânio altamente enriquecido dentro de seu território. O presidente Donald Trump declarou que não há urgência na retirada desse material e indicou que a questão será tratada em etapas posteriores, com previsão de um sistema rigoroso de inspeções internacionais.

Nos Estados Unidos, o senador Lindsey Graham destacou que qualquer acordo final deverá ser analisado e aprovado pelo Congresso.

Sanções e impacto econômico

No campo econômico, autoridades iranianas afirmaram que Washington concordou em não impor novas sanções durante o período de negociação. Também estariam previstas flexibilizações nas restrições ao setor petrolífero e a eventual suspensão de sanções dos EUA e da ONU, conforme cronograma a ser definido.

Teerã também aponta a possibilidade de liberação de até US$ 25 bilhões em ativos congelados, por meio de transferências diretas, cooperação regional e linhas de crédito. Já Trump afirmou que o Irã não receberá recursos diretamente, mas sinalizou que sanções poderão ser suspensas.

Um plano de reconstrução e desenvolvimento para o país, em coordenação com aliados regionais dos EUA, também deve ser formulado e negociado dentro de dois meses.

Impactos regionais e Líbano

O acordo também abrange o fim das operações militares no Líbano. Segundo autoridades iranianas, a cessação dos combates deve ocorrer de forma permanente, incluindo ações no território libanês.

O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que a interrupção dos ataques israelenses ao Líbano é condição central para o sucesso do entendimento, atribuindo aos Estados Unidos a responsabilidade pela implementação do acordo.

Por outro lado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as forças israelenses permanecerão nas zonas de segurança estabelecidas no Líbano, na Síria e em Gaza, conforme orientação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Antes do anúncio formal, Trump havia afirmado que buscava ampliar o acordo para garantir estabilidade regional, incluindo o fim de ataques entre Israel e o grupo Hezbollah, aliado do Irã.

*Com informações da Reuters

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