
Por
Equipe Money Times, Seu Dinheiro
23 set 2026

(Imagem: Braskem)
A recuperação extrajudicial da Braskem (BRKM5), que envolve a reestruturação de cerca de US$ 11 bilhões em dívidas, enfrenta resistência dos credores e questionamentos do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Grande parte dos débitos está nas mãos de investidores estrangeiros, por meio de bonds emitidos no exterior.
Os credores da petroquímica estão exigindo aportes bilionários dos acionistas controladores, a Petrobras (PETR4) e a IG4, do fundo Shine I FIP, segundo informações da Bloomberg.
De acordo com a agência, um grupo de credores têm exigido que os controladores se comprometam a colocar mais capital na empresa em dificuldades.
Ao mesmo tempo, esses detentores de títulos de dívida não estão dispostos a aportar dinheiro novo: uma proposta anterior da Braskem sugeria que os credores colocassem US$ 2 bilhões na empresa para permitir a recompra de dívidas e melhorar o capital de giro, segundo a Bloomberg.
Até o Ministério Público começou a questionar o processo de recuperação da petroquímica. O MPSP recomendou à Justiça a suspensão de novos aportes e desembolsos relacionados à Braskem Idesa, no México, segundo informações na imprensa.
A Braskem estava preparando um aporte de US$ 476 milhões em sua subsidiária, que entrou com pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos em agosto. Os aportes podem chegar a US$ 800 milhões.
Os credores, que têm cerca de US$ 7 bilhões em bonds emitidos pela Braskem, questionaram essa injeção, afirmando que poderia prejudicar a própria situação financeira da brasileira.
A promotoria afirmou que não há ainda indícios de esvaziamento do patrimônio da petroquímica, mas que o risco justifica uma medida cautelar suspendendo a operação por ora, segundo o documento enviado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, ao qual Neofeed e Broadcast tiveram acesso.
Corrida contra o tempo
Quando a companhia protocolou sua recuperação extrajudicial, em agosto, ela tinha adesão de apenas 39,6% dos seus credores. Agora, ela tem um prazo de 90 dias, até 22 de novembro, para apresentar um plano de recuperação atualizado aos credores.
Já em agosto, a empresa afirmou que esse plano atualizado poderia incluir medidas como:
- Correção e alongamento da dívida atual
- Eventual aporte e suporte de liquidez dos principais acionistas de referência da companhia
- Compromisso dos acionistas da companhia ou de terceiros de garantir capital à Braskem
- Possível capitalização de parte dos créditos sujeitos à renegociação.
- A petroquímica já havia pedido uma proteção dos credores antes disso, e agora corre para evitar que o processo se transforme em uma recuperação judicial.
Ao mesmo tempo, a empresa está caminhando para uma OPA que o fundo Shine I FIP terá de fazer aos acionistas minoritários após assumir o controle da petroquímica.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou o registro da oferta nesta semana, que ainda não tem data ou valor por ação definidos.
Além do fundo gerido pela Vórtx Capital e assessorado pela IG4, a Petrobras tem 47,03% do capital votante e 36,15% do capital total. Já outros 2,86% do capital votante e 29,35% do capital total da gigante petroquímica estão em negociação no mercado.
Cenário sem saída fácil
Recentemente, o UBS BB rebaixou as ações da Braskem (BRKM5) de neutra para venda e passou a tesoura no preço-alvo, que passa de R$ 10,50 para R$ 3,75
A equipe de analistas do banco vê um cenário difícil e sem saída fácil para a companhia, uma vez que os spreads, de forma geral, retornaram às perspectivas anteriores ao conflito, enquanto adições relevantes de capacidade na China devem superar o crescimento da demanda em 2027 e 2028, provavelmente mantendo os spreads em níveis baixos do ciclo até mais adiante nesta década, com risco limitado de alta.
“Reconhecemos que estamos um pouco atrasados no rebaixamento após a queda das ações nos últimos três meses e os ventos contrários persistentes relacionados aos spreads e à reestruturação”, diz o UBS BB.
Chama atenção ainda o endividamento e as necessidades de reestruturação da Braskem, com potenciais soluções envolvendo risco relevante de diluição para os acionistas e alta volatilidade durante esse processo.

Por Equipe Money Times
No Money Times, investidores, analistas, gestores e entusiastas do ambiente econômico brasileiro usufruem de textos objetivos e de qualidade que vão ao centro da informação, análise e debate. Buscamos levantar e antecipar discussões importantes para o investidor e dar respostas às questões do momento



