A realidade dos juros em 5% nos EUA: saiba o que acontece com sua carteira se a taxa disparar por lá 

A realidade dos juros em 5% nos EUA: saiba o que acontece com sua carteira se a taxa disparar por lá 

- in Notícias
0
Comentários desativados em A realidade dos juros em 5% nos EUA: saiba o que acontece com sua carteira se a taxa disparar por lá 

Bank of America emite um alerta sobre o teto dos juros na maior economia do mundo, e o Seu Dinheiro te conta o que pode acontecer com os investimentos por aqui

Carolina Gama
20 de setembro de 2026

Ata Fed
Imagem: ShutterstockKevin Warsh pode ter deixado o mercado no escuro sobre o que vai acontecer com os juros daqui para frente nos EUA, já que o presidente do Federal Reserve (Fed) é contra o forward guidance (orientação futura da política monetária), mas o Bank of America (BofA) surgiu com uma luz no fim do túnel.

O problema que é o cenário que o banco ilumina pode assustar muito investidor por aí, inclusive os brasileiros.

Segundo o BofA, o mercado continua subestimando a disposição do banco central norte-americano em elevar de juros e precisa se preparar para a possibilidade de a taxa ultrapassar os 5% ao ano nos EUA.

Na última quarta-feira (16), o Fed elevou a taxa em 0,25 ponto percentual (pp), para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. Você confere aqui os detalhes da decisão que não acontecia há três anos nos EUA.

O que o BofA vê que o mercado não enxerga

Em relatório assinado pelos estrategistas Mark Cabana e Meghan Swiber, o BofA destaca que o mercado futuro projeta um teto para o ciclo de altas entre 4,50% e 4,75%. No entanto, a equipe argumenta que os juros podem buscar novamente os patamares máximos do ciclo anterior, atingindo até 5,50%.

A tese apoia-se em declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, indicando que a recente alta apenas removeu uma dose de acomodação, o que sinaliza que a autoridade monetária ainda não considera a política restritiva o suficiente para conter a inflação.

Leia Também

ROLOU QUÍMICA?

O que você precisa saber sobre o discurso de Lula na ONU — e o que Trump disse também

 

Além disso, métricas como a Regra de Taylor — fórmula que calcula a taxa ideal com base no desvio da inflação e do Produto Interno Bruto (PIB) — apontam que os juros norte-americanos deveriam estar em cerca de 5,3%.

Para os estrategistas, o yield (rendimento) dos Treasurys de dois anos deve subir para 5% neste ano, impulsionando a inclinação da curva de juros. Na sexta-feira (18), o yield dos papéis de dois anos, mais sensíveis à política monetária, encostaram em 4,75%.

A visão da divisão de estratégia contrasta com a do economista-chefe do BofA para os EUA, Aditya Bhave, que prevê apenas mais duas altas de juros de 0,25 ponto percentual este ano (em outubro e dezembro) nos EUA, mantendo a taxa estável em 2027.

O efeito dominó para o investidor brasileiro

Quando o BC dos EUA eleva os juros ou os mantém as taxas altas por mais tempo, os impactos cruzam a fronteira e atingem diretamente a carteira do investidor no Brasil por meio de três canais principais: pressão sobre o dólar e a inflação; Selic elevada por mais tempo e a atração da renda fixa.

Os títulos do Tesouro norte-americano são considerados os ativos mais seguros do mundo. Se eles passam a pagar rendimentos mais altos em dólar, o capital global migra dos mercados emergentes em direção aos EUA.

Essa saída de dólares do Brasil valoriza a moeda norte-americana em relação ao real, o que encarece produtos importados e pressiona a inflação doméstica.

 

 

Para evitar uma fuga massiva de dólares e conter a inflação importada, o Banco Central do Brasil precisa manter a Selic em patamares atraentes — atualmente ela está em13,75%.

Os juros altos nos EUA reduzem a margem de manobra do Copom para cortar a taxa básica, prolongando o ciclo de crédito caro no país.

Com rendimentos de quase 5% ao ano, como prevê o BofA, em moeda forte nos EUA e juros altos no Brasil, os ativos de risco perdem espaço. O Ibovespa tende a sofrer com a retirada de capital estrangeiro, encarecendo o custo de capital das empresas brasileiras e pressionando as cotações de ações e fundos imobiliários.

Para o investidor local, o cenário exige cautela com papéis de renda variável de empresas endividadas e reforça a atratividade de títulos de renda fixa atrelados à inflação ou pós-fixados.

Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

You may also like

Multiplicação de até 42 vezes? Os quatro ativos que podem se beneficiar do próximo boom da inteligência artificial

Por Maria Luiza Araujo 04 nov 2026 Em