O que falta para o ajuste fiscal? Alckmin põe parte da culpa no Banco Central

O que falta para o ajuste fiscal? Alckmin põe parte da culpa no Banco Central

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O vice-presidente participou do evento Macro Day 2026, realizado pelo BTG Pactual, e disse quais são as prioridades do governo

Money Times
31 de agosto de 2026
geraldo alckmin no macro day 2026
Vice-presidente Geraldo Alckmin no evento Macro Day 2026, do BTG Pactual – Imagem: Divulgação/BTG Pactual

O ajuste fiscal tem sido apontado como o maior calcanhar de Aquiles da economia brasileira e uma das principais críticas ao governo atual. Mas o vice-presidente Geraldo Alckmin, candidato à reeleição com Lula, disse qual é o plano para resolver o problema.

 

No evento Macro Day 2026, realizado nesta segunda-feira (31) pelo BTG Pactual, Alckmin defendeu que o ajuste fiscal se dará com a redução nas despesas públicas e nos juros combinadas com o estímulo ao crescimento da economia pelo governo.

O vice-presidente criticou a atual taxa de juros, de 14% ao ano. Alckmin destacou que esse patamar de Selic pressiona o aumento da dívida pública e consequentemente, sua relação com o Produto Interno Bruto (PIB), que supera 82%.

“Há um princípio da medicina que vale para a economia: suprima a causa que o efeito cessa. É preciso agir na causa, melhorando a despesa e estimulando o crescimento da economia”, disse Alckmin.

Ele defende que o governo federal deve entregar o atual mandato com um déficit primário zero e projeta superávit de 0,5% do PIB para 2027.

 

Alckmin lembrou do déficit de 9,7% do PIB em 2020, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, que sofreu impacto da pandemia do coronavírus.

 

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“É um déficit que tem que ir para o Guinness Book. Covid teve no mundo inteiro e no México o déficit foi 0,5%”, criticou o vice-presidente, que prometeu “superávits crescentes” caso seja reeleito com Lula.

Briga declarada ao BC?

Alckmin criticou a política do Banco Central de elevar a taxa básica juros após altas na inflação ocorrida por fatores conjunturais, como os efeitos climáticos em alimentos e a guerra no Irã, que pressionou os preços de petróleo e combustíveis.

“Não sou economista, mas tem coisas que não adianta aumentar os juros. Elevar juros não vai fazer chover para ter mais alimentos e o petróleo é geopolítica”, disse.

 

“Juro é o problemão para economia e custo de capital tem de ser associado à questão fiscal e dívida pública.”

Ele ainda defendeu que o Brasil é um dos países que menos sentiu os efeitos da guerra.

“Tem espaço para se segurar despesa, fazer o PIB crescer e é o protagonista dos três desafios globais: segurança alimentar, energia limpa e as terras raras e minerais críticos”, afirmou.

Negociações com os Estados Unidos

Alckmin voltou a classificar como injusto o tarifaço acumulado de 37,5% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e disse que “não tem tema proibido” na retomada das negociações entre as equipes dos dois governos.

 

Alckmin citou meditas tomadas pelo para mitigar o tarifaço, como os R$ 18,5 bilhões liberados em apoio a empresas atingidas, com juros de 6% a 9%, fomento ao capital de giro, com a postergação por um ano do pagamento de impostos que deveriam ser recolhidos.

“Não vamos sair da mesa de negociação, essa é a orientação do presidente Lula que teve uma conversa com o presidente Donald Trump e foi muito positiva.”

Ainda segundo o vice-presidente, os Estados Unidos devem ser os maiores beneficiados pela aprovação do Redata no Congresso, previsto para esta semana, programa de incentivo à instalação de data centers no Brasil.

Prioridades nas eleições

Alckmin classificou a “defesa da democracia”, além dos avanços da economia, como uma das pautas da sua chapa com Lula à reeleição.

 

“O que diferencia os homens e mulheres públicos é o compromisso com a democracia, quem tem apreço e quem não tem apreço à democracia. Se perdendo as eleições tentaram dar um golpe, imagine se tivessem ganho. Não só o golpe, mas tentar matar o presidente, o vice e um ministro da Suprema Corte, uma coisa ‘incivilizatória’”, disse, se referindo à tentativa de golpe de 2022 e 2023 que levou Bolsonaro à condenação.

 

Money Times

 

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