Volta do gringo é chave para sustentar alta da bolsa, afirma estrategista da Empiricus

Volta do gringo é chave para sustentar alta da bolsa, afirma estrategista da Empiricus

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João KawadaPor

João Kawada
19 ago 2026,
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Acompanhe o Ibovespa e os mercados em Tempo Real. (Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli)
YoutubeO Ibovespa (IBOV) avançava terça-feira (19), caminhando para encerrar uma sequência de 11 pregões de queda. A alta reflete a melhora do cenário externo, mas ainda não é suficiente para afastar as dúvidas que cercam o mercado brasileiro.

Para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, o movimento representa uma reação após semanas de forte pressão sobre os ativos locais.

“A recuperação é normal, porque sofreu muito”, afirmou durante o programa Giro do Mercado. Segundo ele, a bolsa acumulou perdas diante da saída de investidores estrangeiros, de revisões negativas sobre o Brasil por parte de grandes bancos globais e da combinação de incertezas sobre juros, eleições e cenário internacional.

Apesar do alívio, Spiess avalia que a recuperação ainda carece de fundamentos mais sólidos. “Esses espasmos de recuperação podem acontecer, como está acontecendo hoje, mas diante de tanta incerteza do que vai acontecer com o Brasil nos próximos quatro anos, é natural que haja mais movimentos de realização e ajuste de posição”, disse.

Na visão do estrategista, a trajetória da bolsa dependerá de dois fatores centrais. “Para a Bolsa brasileira temos dois gatilhos: um eleitoral e um de juros”, afirmou. Dados mais fracos de atividade podem abrir espaço para novos cortes da Selic, enquanto o avanço da corrida eleitoral tende a ganhar peso na precificação dos ativos.

A questão política, contudo, aparece como o principal vetor para o retorno dos recursos externos. “O gringo volta hoje principalmente pelo vetor eleitoral”, disse Spiess. Segundo ele, a retomada do fluxo estrangeiro foi um dos principais motores da valorização da bolsa no início do ano, quando investidores globais buscaram mercados descontados e economias em ciclo de queda de juros.

Sem uma mudança na percepção sobre o futuro da política econômica do país, porém, a tendência é que esse capital siga à margem. “Se porventura tiver uma mudança aos moldes do que aconteceu na Argentina, o gringo volta. Se não, ele vai ficar distante”, afirmou.

Juros pagos pelo Tesouro são muito altos e tema precisa ser solucionado, diz DuriganNesse contexto, o avanço desta terça-feira pode marcar o fim da sequência negativa do Ibovespa, mas não altera, por si só, o pano de fundo do mercado. Para Spiess, uma recuperação mais consistente da bolsa dependerá da volta do investidor estrangeiro, que continua sendo o principal catalisador para sustentar novas altas do índice.

 

*Sob supervisão de Juliana Américo

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