Galípolo: Selic deve seguir restritiva para reequilibrar oferta e demanda

Galípolo: Selic deve seguir restritiva para reequilibrar oferta e demanda

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Liliane de LimaPor

Liliane de Lima
17 ago 2026
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito das Bets. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
YoutubeO presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a Selic em patamares elevados está mais relacionada a fatores internos da economia doméstica – as “questões endógenas” – do que ao cenário interno. As declarações foram feitas durante a 27ª Confereência Anual do Santander, realizada nesta segunda-feira (17), em São Paulo.

Segundo Galípolo, o Brasil está “em pleno emprego já há algum tempo” e, combinado com o crescimento impulsionado pelo consumo, esse cenário gera uma pressão inflacionária direta sobre a economia.

“A gente está num momento, na economia, que nem os grandes debates teóricos entre economistas deveriam se aplicar. A gente está em um momento de pleno emprego, com uma economia que vem crescendo, com a demanda acima da oferta e que, quando você olha para a política monetária, é óbvio que o mandato é você conseguir reequilibrar oferta e demanda e é por isso que a gente coloca a taxa de juros num patamar restritivo”, disse Galípolo.

“Eu acho que tem essa visão global, mas volto a dizer: eu acho que o que explica o ciclo da política monetária está muito mais relacionado com questões endógenas, internas mesmo”, acrescentou o chefe da autoridade monetária.

Vale lembrar que na última decisão, em 5 de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.

Produtividade é parte da solução, na visão de Galípolo

Para Galípolo, o Banco Central “não está pilotando a política monetária pensando em colocar a taxa de maneira a colaborar com o crescimento, puxado por mais consumo e mais demanda; [o Banco Central] está muito mais pensando em um patamar contracionista”.

Na visão do presidente da autoridade monetária, não é possível sustentar um crescimento econômico mais acelerado sem que a demanda pressione a oferta e, consequentemente, gere novas pressões inflacionárias. Para evitar esse desequilíbrio, o crescimento precisaria ser sustentado por ganhos de produtividade, que permitam ampliar a oferta de bens e serviços sem gerar inflação.

2027 será ainda pior: O alerta do CEO da Casas Bahia (BHIA3), que traça os próximos passos da varejista“Não existe um jeito de você conseguir crescer de maneira sustentada sem pressionar a oferta com a demanda a ponto de gerar um processo inflacionário e basicamente passa por um processo de crescimento liderado por produtividade”, disse.

“Eu acho que isso vai ser um determinante pra gente entender como é que vão se desdobrar os próximos anos, que a gente vai batendo o muro e fica nesse processo de avanço […] ou a gente consegue um processo mais sustentável de desenvolvimento”, acrescentou Galípolo.

Galípolo, porém, não desconsidera a influência do cenário externo sobre a economia brasileira. “Agora estamos entrando em um momento em que países que antigamente não concorriam tanto por ter necessidade de demandar liquidez, como o caso dos EUA, Alemanha e Japão, passam a desempenhar esse papel de maneira mais clara, o que tende a colocar pressão sobre a liquidez global.”

Crescimento da inadimplência é ‘preocupante’

Durante a Conferência do Santander, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, também chamou a atenção para o mercado de crédito.

Na avaliação dele, o aumento do endividamento e inadimplência no país é “preocupante”, diante do efeito de “exponencialidade” provocado pela combinação de taxas de juros elevadas e maior comprometimento de renda.

“Quando a gente olhar para o crédito, existe uma questão particular do Brasil que foi potencializado: a gente assiste uma utilização especialmente dos produtos das linhas de crédito mais caros, em especial aquilo que tá associado com cartão de crédito rotativo ou crédito sem garantia”, afirmou.

“É comum a gente assistir a jornada deste cliente dos outros países migrar de linhas de crédito com taxa de juros mais baixa, com garantia. Ele vai se deteriorando e vai sendo empurrado pra linhas de crédito piores e mais emergenciais. No Brasil, a gente viu esse cliente entrar diretamente para essa linha emergencial e esse limite do cartão de crédito sendo visto como uma disponibilidade de renda que existia”, acrescentou.

Conselho para o governo?

Questionado por Gilson Finkelsztain, CEO do Santander, Galípolo disse que “não se dá conselho para presidente da República” e não tem a menor pretensão de fazê-lo.

“Temos ótimos quadros. O papel do Banco Central é defender o seu quadrado e defender que o seu não seja invadido, mas também não exorbitar o que é a função dele.”

 

 

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