Braskem (BRKM5) busca fôlego com credores, e recuperação extrajudicial entra no radar, diz agência; ações caem na bolsa

Braskem (BRKM5) busca fôlego com credores, e recuperação extrajudicial entra no radar, diz agência; ações caem na bolsa

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Segundo a Bloomberg, petroquímica busca apoio de credores para uma possível reestruturação extrajudicial antes de compromissos previstos para julho

Camille Lima
Camille Lima
02 de junho de 2026

Imagem de indústrias petroquímicas da Braskem
Braskem – Imagem: Estadão Conteúdo/Alex SilvaA Braskem (BRKM5) voltou ao centro das atenções do mercado nesta terça-feira (2), com as ações em queda após rumores de que a petroquímica estaria articulando uma reestruturação de dívidas antes de vencimentos relevantes previstos para julho.

Segundo informações da Bloomberg, a Braskem avalia recorrer à recuperação extrajudicial no Brasil, uma alternativa que permite renegociar passivos com credores fora de um processo formal de recuperação judicial.

A notícia acendeu um sinal de alerta entre investidores e levou as ações da companhia a operarem em forte queda ao longo do pregão.

Após uma queda superior a 6% pela tarde, os papéis conseguiram arrefecer as perdas, encerrando a sessão em baixa de 1,27%, cotados a R$ 10,10.

Procurada pelo Seu Dinheiro, a Braskem não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto.

Braskem negocia recuperação extrajudicial com credores, diz agência

De acordo com a Bloomberg, a Braskem busca primeiro assegurar o apoio de credores que detenham ao menos um terço de sua dívida.

 

Alcançado esse patamar, a empresa poderia obter uma suspensão de 90 dias nos pagamentos, criando uma janela para negociar um plano mais amplo de reestruturação.

A estratégia em análise prevê que a Braskem entre com o pedido extrajudicial já munida de um entendimento preliminar com grupos de credores, bondholders e instituições financeiras.

Durante o período de proteção, a companhia trabalharia para conquistar a adesão de credores que representem a maioria dos débitos, condição necessária para a homologação de um plano definitivo.

No entanto, a agência afirma que outras alternativas continuam sendo avaliadas. Entre elas, estaria a possibilidade de solicitar proteção judicial por meio de uma medida cautelar, mecanismo que também poderia dar fôlego adicional às negociações com os credores.

O que dizem os analistas

Na visão de Beny Fard, sócio da B8 Partners, especialista em investimentos e negócios internacionais, o mercado reagiu negativamente ao potencial avanço do plano de reestruturação extrajudicial da Braskem.

Para o especialista, “o movimento, embora tecnicamente menos grave que uma recuperação judicial, sinaliza ao acionista que ele está no fim da fila” de recebimento.

“Em um processo de reestruturação, acionistas situam-se atrás de todos os credores na ordem de recebimento, e, se o plano envolver conversão de dívida em ações, a participação dos minoritários pode ser reduzida de forma expressiva”, avalia Fard.

Nos últimos dias, o Citi manteve uma visão cautelosa sobre a petroquímica, com classificação de alto risco para a companhia, citando preocupações com a estrutura de capital e o elevado endividamento da empresa.

Os analistas seguem céticos em relação à estrutura de capital da Braskem. Entre as principais preocupações do banco está o pagamento das dívidas da companhia, incluindo um desembolso de US$ 1 bilhão previsto para o quarto trimestre de 2026 ligado à linha standby.

Além disso, os analistas afirmam que o risco de uma eventual recuperação judicial continua no radar e sustenta a postura mais cautelosa com a ação.

Na visão do banco, alguns fatores poderiam melhorar a percepção sobre a Braskem nos próximos trimestres.

Entre os possíveis gatilhos estão um acordo para reestruturar a dívida da companhia, com eventual adiamento de pagamentos, condições mais favoráveis para a compra de matéria-prima e aumento da taxa de utilização das plantas industriais.

Camille Lima 

camille.lima@seudinheiro.comJornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

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