Safra de cana deve crescer com clima favorável, mais etanol e impacto limitado da guerra no açúcar, diz Plinio Nastari

Safra de cana deve crescer com clima favorável, mais etanol e impacto limitado da guerra no açúcar, diz Plinio Nastari

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Pasquale AugustoPor

Pasquale Augusto
02 abr 2026
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(iStock.com/JamesBrey)As perspectivas para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul são positivas, com recuperação dos canaviais, aumento de produção e mudança estratégica na destinação da matéria-prima, segundo o presidente da Datagro, Plinio Nastari.

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Após um 2024 adverso, a boa distribuição de chuvas tem favorecido o desenvolvimento da cultura, impulsionando a produtividade em diversas regiões.

A Datagro projeta moagem de 635 milhões de toneladas, ante 610,5 milhões no ciclo anterior, com leve aumento de área e ganhos relevantes de produtividade.

Mais etanol e açúcar estável

Apesar da maior oferta de cana, a produção de açúcar deve se manter praticamente estável, em torno de 40,7 milhões de toneladas. O destaque será o etanol, com expectativa de crescimento de 4,6 bilhões de litros.

Segundo Nastari, o setor deve direcionar uma parcela maior da matéria-prima para o biocombustível, indicando uma mudança estratégica relevante para o ciclo.

Guerra no Oriente Médio muda dinâmica de preços e exportações devem seguir firmes

As tensões geopolíticas têm influenciado diretamente os mercados de energia e, por consequência, o setor sucroenergético. A alta do petróleo já começa a se refletir nos preços do açúcar e do etanol.

O contrato de açúcar em Nova York registrou avanço recente, enquanto o etanol hidratado na B3 também se recuperou, sinalizando melhora na percepção do mercado.

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Os limitadores da cana, o tripé do etanol de milho e a promessa de EikeMesmo com cerca de 17,1% das exportações brasileiras destinadas ao Oriente Médio, o impacto da guerra sobre o volume embarcado deve ser limitado.

Segundo Nastari, a demanda global permanece constante, e o Brasil continuará redirecionando suas exportações para diferentes mercados, mantendo seu papel como principal fornecedor global.

Fertilizantes entram no radar de risco

Se por um lado o cenário favorece o etanol, por outro há preocupação com os custos de produção. O Oriente Médio é relevante fornecedor de fertilizantes, especialmente ureia, e o Brasil depende fortemente de importações.

Já há aumento nos preços de ureia e fosfatos, embora o cloreto de potássio ainda não tenha sido significativamente impactado.

Índia, Tailândia e Europa influenciam mercado global

No cenário internacional, a Índia segue ampliando sua produção de etanol e pode ter uma safra menor em 2026/27, o que tende a reduzir sua disponibilidade de açúcar para exportação.

A Tailândia, por sua vez, deve registrar recuperação na safra atual (2024/25), mas há sinais de queda na produção em 2026/27, diante da menor atratividade da cana frente a outras culturas.

A União Europeia também caminha para uma redução de produção no mesmo ciclo, em meio a preços menos atrativos.

 

 

Pasquale Augusto
Por Pasquale Augusto
Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.

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