IPCA forte e petróleo em alta: combinação pode ser uma ‘ameaça’ para o principal ‘gatilho’ da bolsa brasileira em 2026

IPCA forte e petróleo em alta: combinação pode ser uma ‘ameaça’ para o principal ‘gatilho’ da bolsa brasileira em 2026

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Isabelle SantosPor

Isabelle Santos
15 mar 2026
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Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus, “gatilho” de alta da bolsa pode ser “modesto” em meio à alta da inflação e atividade econômica resilienteO clima positivo que marcou o começo de 2026 para a bolsa brasileira começa a dar lugar à cautela. Na quinta-feira (12), a divulgação do IPCA trouxe novas preocupações para os investidores, e colocou em dúvida a força de um possível ciclo de valorização.

De acordo com o IBGE, a inflação oficial do país avançou 0,7% em fevereiro. O número superou tanto o registrado em janeiro, de 0,33%, quanto a projeção do mercado, que estimava uma alta de 0,65% no período.

Assim, no acumulado dos 12 meses, a inflação agora está em 3,81%, ante 3,77% das projeções do mercado.

O dado trouxe ainda mais pressão aos ativos de risco domésticos, que já estavam deprimidos por conta do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, e a escalada do preço do petróleo. Ao longo do pregão da quinta-feira, o Ibovespa operava em queda de mais de 2%.

Esse cenário coloca em “xeque” um dos principais “gatilhos” de alta da bolsa brasileira em 2026: o ciclo de cortes da Selic. E a pergunta que fica é:

Copom de março ainda pode apresentar ‘gatilho’ para a bolsa?

Desde o fim de 2025, muitos especialistas de mercado vinham defendendo que o início do ciclo de afrouxamento monetário seria um gatilho para a bolsa brasileira.

Afinal, a queda dos juros por aqui, somada às incertezas do cenário externo atraindo fluxo estrangeiro, poderiam impulsionar ainda mais as ações domésticas.

Entretanto, Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, aponta que o preço do petróleo voltando aos US$ 100, o IPCA mostrando aceleração e os dados de vendas no varejo tornam a materialização desse gatilho um desafio.

O analista explica que, embora o preço do petróleo favoreça exportadores da commodity, como é o caso do Brasil, a alta também implica em mais inflação. Esse fator, aliado aos números do IPCA e uma atividade econômica resiliente, podem resultar em mudanças na condução da política monetária.

Diante desse contexto, “muito dificilmente haverá um corte de 50 pontos [na Selic]”, segundo o analista, que aponta que, no atual cenário, é possível que o Banco Central realize “um corte mais cauteloso, de apenas 25 pontos-base na semana que vem”.

Ou seja, “ele [o corte de juro] vai acontecer, porém de forma mais contida”, destaca. Assim, mesmo em um cenário em que o principal gatilho para a bolsa brasileira seja mantido, a volatilidade causada por tensões geopolíticas deve pressionar os ativos no curto prazo.

Para o analista, neste momento, os investidores devem adotar uma estratégia com perfil mais previsível. Nesse sentido, recomendou aos leitores da sua newsletter, “Mercado em 5 Minutos”, a Carteira Empiricus Renda Extra, que entregou uma rentabilidade 320% acima do CDI apenas no mês de fevereiro.

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Isabelle Santos
Por Isabelle Santos
Comunicóloga formada pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). É redatora do Money Times, Seu Dinheiro e Empiricus.

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