Luiz Alberto Machado[1]
A competitividade de uma economia não pode ser reduzida ao seu PIB, produtividade ou níveis de emprego; ela só pode ser avaliada considerando uma matriz complexa de dimensões políticas, sociais e culturais.
A competitividade econômica é sinônimo de qualidade de vida, e os governos desempenham um papel tão importante quanto as empresas. Como? Por quê? E de que forma o cenário macroeconômico em constante evolução impacta esse cenário?
O Centro de Competitividade Mundial da escola de negócios do International Institute for Management Development (IMD), fornece dados e análises sobre esse tema há 37 anos por meio de seu Ranking de Competitividade Mundial.
Adota uma perspectiva global, regional, sub-regional, econômica e centrada nas pessoas, utilizando dados externos concretos e os resultados de uma pesquisa interna com altos executivos em dezenas de economias globais. No Brasil, o IMD atua em parceria com a Fundação Dom Cabral na realização de suas pesquisas.
O ranking mundial de competitividade definitivo, publicado anualmente pelo IMD, terá sua divulgação apenas em junho de 2026. Porém, com base em projeções e relatórios parciais disponíveis neste início de ano, Suíça, Noruega e Suécia despontam como as economias mais competitivas do mundo, destacando-se pela forte infraestrutura, educação e saúde.
Além da liderança da Suíça, seguida por Noruega e Suécia, as principais projeções divulgadas pelo IMD destacam como tendências o foco em sustentabilidade, políticas públicas de longo prazo e alta eficiência nos setores educacional e de saúde.
As projeções iniciais revelam a manutenção da Suíça na liderança do ranking, porém indicam mudanças nas posições seguintes, com a ascensão da Noruega e da Suécia ameaçando Singapura e Hong Kong que ocupavam a 2ª e 3ª posições respectivamente no ranking de 2025.
O desempenho do Brasil demonstra fragilidade, apesar da melhora registrada no ranking de 2025, quando subiu para a 58ª posição entre 69 países, em relação ao de 2024, quando aparecia em 62° lugar entre 67 países. Essa tem sido a tônica do Brasil em termos de competitividade. O País tem se mantido nas posições inferiores do ranking, distante do top 40.
O Brasil apresenta-se como destaque positivo no uso de energias renováveis (ocupando a 5ª posição), criação de empregos de longo prazo e fluxos de investimento estrangeiro.
Por outro lado, o Brasil apresenta deficiências na qualificação da mão de obra, alta carga tributária e instabilidade macroeconômica.
Considerando a relevância da competitividade como indicador de qualidade de vida de um país, aguardemos a divulgação do ranking definitivo em junho para conhecer o desempenho recente do Brasil.
[1] Economista, graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Mackenzie, mestre em Criatividade e Inovação pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal), é sócio-diretor da empresa SAM – Souza Aranha Machado Consultoria e Produções Artísticas e consultor da Fundação Espaço Democrático. Foi presidente do Corecon-SP e do Cofecon.



