Janeiro ou março? Resultado do PIB reacende dúvidas sobre quando deve começar o corte de juros

Janeiro ou março? Resultado do PIB reacende dúvidas sobre quando deve começar o corte de juros

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Giovana LealPor

Giovana Leal
04 dez 2025,
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PIB ficou praticamente estável no 3T25 (Imagem: Agência Brasil)O mercado se divide quanto ao início da flexibilização monetária no Brasil — parte aposta em cortes já na primeira reunião de 2026, enquanto outra parte só vê espaço para março. E o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2025 trouxe novo fôlego a essa discussão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEPara a XP Investimentos, o resultado da atividade econômica brasileira não altera o balanço de riscos de curto prazo para a política monetária, já que os dados trouxeram sinais mistos. O economista Rodolfo Margato ressalta que a leitura indica um crescimento anual maior em 2025, mas desaceleração mais acentuada na dinâmica trimestral.

O PIB subiu 0,1% entre julho e setembro deste ano, frente ao trimestre anterior. Já na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, o crescimento foi de 1,8%.

A XP aponta que a surpresa positiva no crescimento anual reflete a resiliência dos setores de serviços e agropecuária ao longo do ano. Ainda assim, Margato observa que a moderação mais intensa na comparação trimestral — especialmente no consumo das famílias e nos investimentos — indica uma perda de força na margem.

O economista também ressalta que a firmeza do mercado de trabalho, somada ao retorno da política fiscal a uma postura expansionista, deve impedir uma contração da atividade no curto prazo.

Ele afirma que medidas de estímulo, como programas de renda e crédito, tendem a impulsionar a demanda agregada nos próximos trimestres.

“Nosso cenário-base incorpora os efeitos da reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física, a aceleração da nova linha de crédito consignado para trabalhadores do setor privado e a expansão do investimento público, liderada sobretudo pelos governos estaduais”.

Com esse conjunto de fatores, a XP, inclusive, revisou a projeção de crescimento do PIB em 2025 de 2,1% para 2,3%, mantendo a expectativa de 1,7% para 2026.

Esse arranjo, segundo Margato, reforça a avaliação de que o Banco Central deve manter a Selic em 15% ao ano por mais duas reuniões. A casa projeta que o ciclo de cortes começará apenas em março, com seis reduções consecutivas de 0,5 ponto percentual, levando a taxa a 12% ao final do ano que vem.

O que espera a Galapagos

A Galapagos Capital também ressalta os sinais mistos do PIB, com serviços e consumo das famílias perdendo força, ao mesmo tempo em que indústria e investimentos mostram recuperação.

“Historicamente, serviços e consumo das famílias sofrem influência da política monetária de forma mais gradual, e indústria e investimentos respondem mais imediatamente ao ciclo de política monetária”, afirma a economista-chefe, Tatiana Pinheiro.

Ela explica que, pelo lado da oferta, houve aceleração da indústria, que cresceu 0,8% no trimestre, impulsionada tanto pela indústria extrativa mineral — menos sensível à política monetária — quanto pela construção civil — mais afetada pelos juros.

Já os serviços avançaram apenas 0,1%, refletindo o enfraquecimento do comércio e da intermediação financeira, seguros e previdência complementar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEPelo lado da demanda, a economista destaca o reaquecimento da demanda doméstica para 0,4%, mesmo com a desaceleração do consumo das famílias, que cresceu apenas 0,1%.

Apesar dos “sinais mistos”, Pinheiro reforça que a desaceleração de serviços e do consumo das famílias é particularmente relevante para a condução da política monetária.

Diante desse quadro, a Galapagos mantém a expectativa de que o ciclo de cortes de juros começará em janeiro de 2026, com a Selic encerrando o ano que vem em 10,50%.

 

Giovana Leal
Por Giovana Leal
Editora-assistente
Editora-assistente no Money Times e graduada em Jornalismo pela Unesp – Universidade Estadual Paulista. Atua na área de macroeconomia, finanças e investimentos desde 2021.

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