Brasil vive momento excepcionalmente favorável, mas não pode ‘rasgar dinheiro’, diz economista-chefe do Itaú Asset

Brasil vive momento excepcionalmente favorável, mas não pode ‘rasgar dinheiro’, diz economista-chefe do Itaú Asset

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Giovana Leal

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Giovana Leal
20 set 2025,
Thomas Wu - Itaú Asset
Thomas Wu, economista-chefe do Itaú Asset, no Inter Invest Summit 2025. (Imagem: Divulgação)

O mundo vive um momento excepcionalmente favorável para o Brasil, afirma o economista-chefe do Itaú Asset, Thomas Wu. Para ele, a postura mais agressiva dos Estados Unidos frente ao comércio internacional abre espaço para que o país se beneficie, reforçando sua posição como fornecedor confiável e geopoliticamente neutro.

 

O presidente Donald Trump anunciou uma série de tarifas comercias a diversos países este ano, como estratégia para proteger o mercado interno e estimular o consumo de produtos fabricados no próprio país.

Wu diz que as disputas comerciais norte-americanas — antes concentradas na relação com a China e agora mais amplas — têm levado outros países a buscar parcerias alternativas, e o Brasil surge como beneficiário direto.

“O mundo está muito a favor de nós. Todo mundo quer fazer negócio com o Brasil”, afirmou no evento Inter Invest Summit 2025, destacando que a neutralidade geopolítica é hoje um posicionamento estratégico.O economista cita exemplos de setores que ganham espaço nesse contexto, como o agronegócio, além da possibilidade de avanços em acordos comerciais de longa data, como o entre Mercosul e União Europeia.

 

“O pessoal quer comprar de nós. Se tomarmos partido, é como rasgar dinheiro. Ser neutro é extremamente importante”, disse.

Apesar disso, Wu ressalta que os juros brasileiros elevados e a elevada carga tributária continuam sendo entraves internos para o crescimento.

 

Ele defende maior previsibilidade fiscal, especialmente a partir de 2026, para que o setor privado possa investir com mais confiança. “Se o governo colocar um mínimo de previsibilidade de quando o refluxo vem, há negócio para fazer, que se transforma em Produto Interno Brasil”, afirmou.

Wu também fez um alerta sobre o ambiente político polarizado, que considera um obstáculo para o país aproveitar plenamente essa janela de oportunidades. “Toda eleição é chamada de a mais importante. Mas, desta vez, o que me preocupa é que o mundo está muito bom para o Brasil, e a gente corre o risco de perder tempo com disputas internas.”

 

 

 

Giovana Leal
Por Giovana Leal
Editora-assistente
Editora-assistente no Money Times e graduada em Jornalismo pela Unesp – Universidade Estadual Paulista. Atua na área de macroeconomia, finanças e investimentos desde 2021.
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