Banco Central aciona alerta de segurança contra possível ataque envolvendo criptoativos

Banco Central aciona alerta de segurança contra possível ataque envolvendo criptoativos

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Movimentações suspeitas com USDT no domingo gerou preocupações no BC, que orientou empresas de pagamento a reforçarem a segurança

Seu Dinheiro
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18 de agosto de 2025

Porto Seguro
Imagem: Shutterstock
WhatsappTwitterLinkedinFacebookTelegramPouco mais de um mês após o ataque hacker que desviou cerca de R$ 1 bilhão, o Banco Central do Brasil (BC) voltou a emitir um alerta de “movimentação atípica no mercado” envolvendo criptoativos e direcionado a empresas de pagamento.

A notificação aconteceu no domingo (17) e na nota o BC informou ter identificado movimentações incomuns relacionadas à busca por operadores de USDT, associada a um possível ataque a participantes do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP).

“Há indivíduos procurando de forma ativa operadores em USDT, com indícios de preparo para ação ilícita.”

O USDT é uma stablecoin atrelada ao dólar, ou seja, uma criptomoeda com valor estável equivalente à moeda norte-americana.

O alerta do Banco Central aparenta ter sido preventivo e não há indícios de que um novo ataque hacker ao sistema financeiro tenha sido realizado com sucesso.

Também não é possível saber se os responsáveis pela movimentação estariam tentando converter em criptoativos parte dos recursos desviados da C&M ou se se trata de uma nova tentativa de ataque.

 

“Este alerta visa prevenir possíveis prejuízos financeiros e danos à integridade do sistema financeiro nacional”, diz a nota do BC enviada às associações.

O roubo do século

No início de julho, o noticiário parou para acompanhar um crime que entrou para a história do mercado financeiro brasileiro.

Um ataque hacker desviou cerca de R$ 1 bilhão de contas ligadas à C&M Software, prestadora de serviços do sistema financeiro.

Embora parte do dinheiro tenha sido recuperada por meio de mecanismos do Banco Central, como o MED do Pix e bloqueios em contas bancárias, a maior parcela rapidamente migrou para o universo das criptomoedas, tornando a trilha muito mais difícil de seguir.

Exchanges como Binance, Bitso, Mercado Bitcoin e Foxbit registraram picos atípicos de movimentações no dia do crime, reforçando a suspeita de conversão imediata do montante em ativos digitais, incluindo o USDT.

Segundo especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro em julho, esse é justamente o ponto que pode tornar as perdas praticamente definitivas. Uma vez transformado em criptomoedas, o dinheiro passa a estar protegido por chaves privadas que não são nominais, sem vínculo direto com o dono da carteira digital.

Isso impede que autoridades financeiras recuperem os valores, já que as blockchains públicas não têm um controlador central.

Para os analistas, a mesma característica que dá segurança e autonomia aos investidores também funciona como escudo para criminosos, dificultando qualquer reversão ou confisco.

Atenção, segurança em dobro

A Febraban confirmou que a movimentação estaria ligada a um possível ataque contra participantes do sistema de pagamentos brasileiro e disse que o alerta chegou na tarde de domingo.

“De imediato, a Febraban comunicou aos seus bancos filiados que participam de seus Comitês de Prevenção a Fraudes e de Cyber Segurança para que tomassem todas as iniciativas possíveis para se evitar o possível ataque”, afirmou a entidade em nota.

Entre as recomendações de segurança do BC estão os seguintes pontos:

  • Intensificar o monitoramento de transações financeiras, sobretudo nos horários noturnos;
  • Aumentar os níveis de autenticação e vigilância em sistemas de pagamento;
  • Bloquear e comunicar imediatamente qualquer tentativa suspeita de movimentação, incluindo recebimento de valores altos para o perfil dos clientes ou envio de quantias relevantes para corretoras de criptoativos;
  • Integrar as equipes de segurança operacional para avaliação contínua do risco ao longo da semana.

*Com informações do Valor Econômico 

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