Faculdade de Ciências Econômicas de Alagoas, uma conquista dos trabalhadores do Comércio

Faculdade de Ciências Econômicas de Alagoas, uma conquista dos trabalhadores do Comércio

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Quando ocorreram as primeiras mobilizações para a criação desta instituição de ensino superior, em 1953, Alagoas tinha somente em funcionamento as Faculdades de Direito, Medicina, Engenharia, Filosofia, Ciências e Letras e duas de Odontologia.

A iniciativa foi do Sindicato dos Empregados do Comércio do Estado de Alagoas, que já administrava a Escola Técnica de Comércio de Alagoas e pretendia ampliar as opções de estudo para seus associados.

Para formalizar a solicitação ao Ministério da Educação, o presidente do Sindicato, Agérico Vieira — era também jornalista —, nomeou uma comissão para elaborar o regimento interno, corpo docente e adotar todas as providências para a tramitação do projeto na capital federal.

A comissão teve a participação de Benedito Manuel dos Santos Silva Filho, Domingos Gonçalves Lima e José Cavalcanti Manso, todos professores da Escola Técnica de Comércio de Alagoas.

Ainda em 1953, esteve em Maceió o representante do MEC, José Alves, que inspecionou as condições para a instalação da Faculdade. Foi este mesmo José Alves quem levou o processo para o Rio de Janeiro.

No Conselho Nacional de Ensino, a solicitação dos trabalhadores alagoanos foi relatada pelo professor Jurandir Lodi. Todo o processo recebeu o acompanhamento do então deputado federal Rui Palmeira, com a ajuda de José Romão de Castro, que foi diretor da Escola Técnica de Comércio de Alagoas quando ela ainda era a Academia de Ciências Comerciais de Alagoas.

Formatura da primeira turma de Economia em 1957. Ao centro o professor José Cavalcanti Manso, diretor da instituição. Foto do acervo de Elma Leite

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Faculdade foi autorizada a funcionar pelo Decreto nº 34.962, de 19 de janeiro de 1954, assinado pelo presidente da República, Getúlio Vargas e referendado pelo ministro da Educação, Eduardo Santos.

Nesse mesmo dia, à noite, ocorreu a primeira reunião da Congregação da Faculdade. Estavam presentes os professores Alfredo Gaspar de Mendonça, José Cavalcanti Manso, José Silvio Barreto de Macedo, José Cavalcanti Cajueiro, Benedito Manoel dos Santos Silva Filho, José Franklin Casado de Lima, Nélson Tenório de Oliveira, Petrônio Viana, Hermano Cardoso Pedrosa, Carlos de Gusmão Miranda e Milton Gonçalves Ferreira.

Esta primeira reunião foi presidida pelo professor José Cavalcanti Manso, após a sua indicação pelo presidente do Sindicato, Agérico Vieira, que abriu a reunião e explicou os motivos dela. O secretário da sessão foi o professor Silvio Macedo.

No dia seguinte, a Congregação voltou a se reunir para a eleição do Diretor e do Conselho Técnico-Administrativo. Desta feita com a presença também dos professores Anfilófio Jaime de Altavila Melo, Bidionaques Casado do Nascimento, Jair Gaspar de Mendonça e José Xisto Gomes de Melo.

Para o triênio 1954/57, foi apresentada uma lista ao presidente do Sindicato, que escolheu como Diretor o professor José Cavalcanti Manso e para membros do Conselho os professores Alfredo Gaspar de Mendonça, José Cavalcanti Cajueiro, José Franklin Casado de Lima, José Silvio Barreto de Macedo, José Xisto Gomes de Melo e Nelson Tenório de Oliveira.

O primeiro corpo discente foi assim constituído: Albérico de Carvalho Lima, Contabilidade Geral; Alfredo Gaspar de Mendonça, Ciências das Finanças; Anfilófio Jaime de Altavila Melo, História das Doutrinas Econômicas; Antônia de Omena Fireman, Estudo Comparado dos Sistemas Econômicos; Antônio César de Moura Castro, Comércio Internacional e Câmbios; Benedito Manoel dos Santos Silva Filho, Valor e Formação de Preços; Carlos de Gusmão Miranda, Geografia Econômica; Hermano Cardoso Pedrosa, Estatística Metodológica; Jair Gaspar de Mendonça, Estrutura e Análises de Balanço; José Cavalcanti Cajueiro, Repartição da Renda Social; José Cavalcanti Manso, Economia Política; José Franklin Casado de Lima, Estatística Econômica; José Otávio Pereira Acioli, Estrutura das Organizações Econômicas; José Xisto Gomes de Melo, Instituições de Direito Privado; Manoel Bezerra da Silva, Moeda e Crédito; Milton Gonçalves Ferreira, Instituições de Direito Público; José Silvio Barreto de Macedo, Princípios de Sociologia Aplicada à Economia; Nelson Tenório de Oliveira, Evolução da Conjuntura Econômica; Paulo de Albuquerque, História Econômica Geral e Formação Econômica do Brasil; Paulo de Castro Silveira, Ciência da Administração e Pompeu de Miranda Sarmento, Política Financeira.

Familiares e amigos dos formandos de 1957 da Faculdade de Economia. Foto do acervo de Elma Leite

Nos primeiros anos a Faculdade oferecia somente o curso de Economia. Posteriormente foram criados os cursos de Administração e Contabilidade.

Em março de 1954 foi realizado o primeiro vestibular para Economia em Alagoas, que aprovou 17 entre os 34 candidatos inscritos.

A aula inaugural aconteceu no dia 22 de maio e foi presidida pelo diretor José Cavalcanti Manso. O estudante da primeira turma, Edvaldo Araújo da Silva, falou representando os aprovados no vestibular. Em seguida o professor Jaime de Altavila, também diretor da Faculdade de Direito de Alagoas, proferiu a aula inaugural.

Os formandos da primeira turma receberam seus diplomas no final de 1957. Foram eles: Abel Miranda Lopes, Amaury de Araújo Leite, Arnaldo de Barros Paes, Dalmo Torres de Melo, Dáulia Maria Lima de Pereira, Edvaldo Araújo da Silva (orador), Jandeci Lira Gabriel, Judson Norberto dos Santos, Luís Hermano Casado Lima, Manoel Lopes de Albuquerque e Ubirajara Costa de Arroxellas.

Nesse mesmo ano, a Faculdade ganhou projeção quando o Diretório Acadêmico apresentou uma candidata ao concurso Miss Alagoas.

Lydia Anny Kunz Barreto, catarinense de Blumenau e filha do major do Exército Adger Barreto — então comandante da CSM em Maceió — e de Anny Kunz Barreto. Estudava no Instituo de Educação e participava do Teatro dos Estudantes de Alagoas (TEA) e do Teatro de Amadores de Maceió (TAM).

Não conseguiu êxito, perdendo para Rosa Lúcia Pacheco. No ano seguinte entrou na disputa novamente, desta feita sendo derrotada por Noélia Lopes Cavalcanti. Somente em 1959 é que Lydia Barreto foi escolhida para representar o estado de Alagoas no concurso Miss Brasil.

A Faculdade funcionou até 1964 no segundo pavimento da sede do Sindicato, na Rua do Sol, 418, prédio da antiga Sociedade Perseverança de Auxílio. Ocupava três pequenas salas de aula improvisadas e mais dois compartimentos utilizados pela Diretoria e Secretaria.

Não tinha pessoal contratado e a limpeza era feita por servidores do Sindicato. No início trabalhou na secretaria a funcionária da Prefeitura Heleida Torres.

Esta situação improvisada fez com que a Faculdade não fosse incluída no projeto inicial de criação da Universidade Federal de Alagoas. O professor Jurandir Lodi, ao elaborar o parecer, alegou que a instituição não possuía patrimônio, embora tenha incluído a Faculdade de Farmácia que ainda nem existia.

Segundo o professor Milton Gonçalves Ferreira, um dos pioneiros, “em contraste com essa pobreza material, a Faculdade transferiu à Universidade a extraordinária riqueza intelectual de seu pessoal docente…”

Trote dos alunos de Economia no final de 1957. Foto do acervo de Elma Leite

A partir de 1965, já incluída na Universidade Federal de Alagoas, a Faculdade de Economia passou a funcionar em casarão na esquina da Rua General Hermes com a Praça dos Martírios, local hoje ocupado pelo prédio da Caixa Econômica Federal.

Em 1972, quando o reitor Nabuco Lopes conseguiu com o Ministério da Marinha o empréstimo do prédio da antiga Escola de Aprendizes Marinheiros, no Pontal da Barra, a Faculdade foi para o Campus Tamandaré.

Após a instalação da Salgema, em 1977, o funcionamento do Campus Tamandaré passou a depender da adoção de várias medidas de segurança exigidas pelos órgãos públicos. O reitor Manoel Ramalho optou por deslocar todos os cursos da área de Humanas, a então Área III, para o Campus A. C. Simões.

 

Prédio da Faculdade de Economia de Alagoas, na esquina da Praça dos Martírios com a Rua General Hermes nos anos 60.

 

Hoje, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Ufal oferece cursos de graduação em Economia, Administração, Administração Pública à distância, e Contabilidade.

São 2.200 alunos matriculados atendidos por 66 professores efetivos, 5 substitutos e 2 voluntários. Metade deles são Doutores e 35% mestres.

A pós-graduação da FEAC oferece o Curso de Mestrado em Economia Aplicada, Mestrado em Administração Pública-PROFIAP, além de vários cursos lato sensu nas áreas de Economia, Administração e Contabilidade.

 

*Fonte principal: texto do professor Milton Gonçalves Ferreira para o Documentário Histórico da Ufal.

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